NESTA EDIÇÃO. Trump e Rodríguez fecham negociação para participação dos EUA na produção de petróleo da Venezuela.
ONS projeta aceleração da demanda de energia.
Bandeira tarifária de setembro será amarela.
Relatores do Redata e minerais críticos são definidos, à espera de votação no esforço concentrado.
EDIÇÃO APRESENTADA POR:
EUA assumem controle sobre mais petróleo na Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciaram um acordo para entregar acesso a 65 bilhões de barris em reservas de petróleo do país caribenho ao governo estadunidense.
- A negociação envolve o desenvolvimento de 17 campos produtores e 8 blocos exploratórios, com o objetivo de ampliar a produção venezuelana para 1,5 milhão de barris/dia.
- De acordo com Trump, o acordo vai permitir recompor os estoques estratégicos de petróleo dos EUA. (Valor/Associated Press)
- Já Rodríguez afirma que a Venezuela “preservará a soberania sobre seus recursos naturais” e que o acordo poderá gerar US$ 209 bilhões em receitas. (G1)
Na prática, será criada uma nova empresa para atuar na Venezuela, com 55% de participação do governo estadunidense, que poderá comprar a produção a preço de custo.
- Trump afirmou que o acordo é um “presente” da Venezuela para o povo dos EUA e que vai permitir a redução dos preços da gasolina para os estadunidenses, mas não detalhou como pretende fazer isso. (Valor/Reuters)
- Segundo os dados mais recentes, os estoques estadunidenses encerraram a semana de 21 de agosto em 428,91 milhões de barris. Vale a leitura:
O acordo foi negociado pelos secretários de Estado, Marco Rubio, e de Defesa, Peter Hegseth, além de Rodríguez. Envolve pelo menos uma empresa privada, ainda não divulgada.
- Informações da imprensa norte-americana indicam que a empresa envolvida seria a Chevron, mas a petroleira não confirmou. (UOL/agências internacionais)
- Outras majors, como Shell e ExxonMobil, vinham indicando interesse pelo país nos últimos meses.
Rodríguez assumiu o poder em janeiro, como presidente interina, após os EUA invadirem a Venezuela e capturarem o então presidente, Nicolás Maduro.
- Até o momento, não há sinal de preparativos para eleições no país caribenho, que sofre uma grave crise humanitária, após o terremoto que deixou mais de 6.500 mortos em junho. (ONU)
- Os países já tinham fechado um outro acordo nos últimos meses para entregar a gestão de parte das receitas do petróleo venezuelano ao governo dos EUA.
- Para contextualizar: Quais foram as reações do mercado à invasão na Venezuela?
Enquanto isso, no Oriente Médio… Na semana que marca seis meses do início da guerra entre EUA, Israel e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, os EUA voltaram a trocar ataques diretos.
Preço do barril. Com as novas tensões no Oriente Médio, o petróleo iniciou a manhã de segunda (31/8) em alta, negociado a US$ 91 por barril, por volta das 7h no horário de Brasília.
- Na sexta-feira (28), o barril fechou em queda, a US$ 88,10, após perder mais de 4% na semana passada, com o impasse nas negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã e o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
PLP dos Combustíveis. O presidente Lula (PT) sancionou na íntegra a Lei Complementar 235, que permite ao governo reduzir a tributação para conter a alta de preços nas bombas dos postos durante a guerra no Oriente Médio.
- Fruto de acordo entre o Legislativo e o Executivo, o chamado PLP dos Combustíveis foi aprovado pelo Congresso com uma série de “jabutis”.
Bomba Oculta. Receita Federal, Sefaz/SP, ANP, Polícia Civil e outros órgãos deflagraram na sexta (28/8) a Operação Bomba Oculta, para bloquear e interditar postos de combustíveis clandestinos que estavam operando sem autorização.
- Além dessa ação, um total de 1.283 CNPJs e 228 inscrições estaduais ficarão inaptos.
Gás argentino. O ano de 2027 desponta como um teste para medir a real disposição dos players brasileiros e argentinos por contratos de longo prazo e fazer, assim, escalar a integração gasífera no Cone Sul em direção a compromissos firmes. Leia mais na newsletter:
Opinião: Discussão sobre segurança energética ganha relevância em períodos de maior instabilidade climática, escrevem Ricardo Baitelo, Anton Schwyter e Marcelo Testoni, respectivamente, pesquisadores e comunicador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema).
Aumento da demanda. O boletim do Programa Mensal de Operação (PMO) do Operador Nacional do Sistema (ONS) para a semana entre os dias 29 de agosto e 4 de setembro projeta aceleração da carga em todos os subsistemas até o final do mês.
- No Sistema Interligado Nacional (SIN), o avanço previsto é de 5,9% (85.118 MWmed).
Bandeira tarifária. A Aneel definiu a bandeira tarifária amarela para o mês de setembro, com a cobrança adicional de R$ 1,885 na conta de luz, a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
- Segundo a agência, a sinalização reflete condições menos favoráveis de geração de energia, com necessidade de utilização de fontes de geração com custos mais elevados. A bandeira amarela está acionada desde maio.
Opinião: Brasil ainda precisa consolidar um modelo regulatório capaz de reconhecer e remunerar adequadamente os diferentes serviços prestados pelas usinas reversíveis, escreve Henrique Verdan, o superintendente de M&A e Novos Negócios da Emae.
Eco Invest. O Conselho Monetário Nacional elevou o limite de remuneração do quinto leilão do programa Eco Invest Brasil, para aumentar a atratividade para instituições financeiras.
- Com a nova regra, a instituição financeira poderá receber até 3% ao ano pela injeção de recursos aos Fundos de Inovação. Antes, o limite era de 2% ao ano.
PL dos minerais críticos. O senador Eduardo Braga (MDB/AM) foi escolhido pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União/AP), para relatar o marco legal dos minerais críticos (PL 2780/2025). Já Cid Gomes (PSD/CE) assumirá a relatoria do Redata (PL 278/2026), após negociações que envolveram o Planalto e a presidência da Câmara dos Deputados.
- Aprovadas pela Câmara e paradas no Senado há alguns meses, ambas as políticas estão entre os cinco projetos considerados prioritários pelo governo na semana de esforço concentrado do Congresso, de 31 de agosto a 3 de setembro.
Opinião: Brasil tem reservas de lítio, níquel, cobre e terras raras, mas transformar potencial geológico em desenvolvimento exige planejamento tributário e industrial. Reforma tributária altera competitividade da cadeia, escreve Bernardo Araripe Diniz, sócio-fundador do Araripe Diniz Advogados.















