NESTA EDIÇÃO. Nova escalada na guerra no Oriente Médio afeta exportações da Arábia Saudita e pode comprometer 4% do suprimento global de petróleo.
EUA planejam acabar com limite às emissões de termelétricas a gás natural e carvão.
MME propõe orçamento de R$ 1,61 bilhão para o Luz para Todos em 2027.
MPF e a Defensoria Pública da União acionam a Justiça contra data center no Ceará.
EDIÇÃO APRESENTADA POR:
Ataques a oleoduto e navios no Oriente Médio ampliam pressão sobre o preço do petróleo
O final de semana foi marcado por novos ataques à infraestrutura de exportação de petróleo do Oriente Médio, com um importante oleoduto para as exportações da Arábia Saudita fora de operação e relatos de danos a navios no Golfo Pérsico.
- A Arábia Saudita confirmou que o duto Leste-Oeste, que liga o porto de Yanbu ao Mar Vermelho, está fechado após ataques atribuídos ao grupo houthi. É a principal rota de escoamento para as exportações sauditas, com as restrições ao Estreito de Ormuz.
- Segundo a Reuters, o impacto pode ser de uma perda de até 4% do suprimento global.
- No domingo (13/9), um navio comercial iraniano foi atingido no Estreito de Ormuz. (G1)
As novas restrições ampliam as perspectivas de altas no preço do barril de petróleo, logo após as cotações retornarem à casa dos três dígitos pela primeira vez desde julho.
O comércio global de petróleo está sensível. Qualquer novo impacto pelo aumento da demanda ou queda na oferta tende a repercutir negativamente em um mercado já restrito após meses de uso de estoques.
O efeito tem sido sentido em dobro pelo mercado de derivados, com restrições em importantes centros de refino globais.
Para o Brasil, o cenário indica pressão adicional sobre os preços dos combustíveis.
- Na semana entre 31 de agosto e 4 de setembro, o diesel importado bateu o maior valor desde maio, a R$ 6,29 o litro, segundo dados da ANP com base em informações da S&P Global Commodity Insights.
- O governo federal anunciou na semana passada novos subsídios para o diesel e gasolina. As medidas foram confirmadas por meio da edição da Medida Provisória 1391/2026, divulgada em edição extra do Diário Oficial da União. Veja na íntegra.
- Apenas a Petrobras já recebeu R$ 9,5 bilhões no âmbito dos programas de subvenção ao óleo diesel, gasolina e GLP até o momento. A estatal confirmou o pagamento de duas novas parcelas referentes à comercialização de diesel na sexta (11/9).
Separação dos negócios. A New Fortress Energy (NFE) concluiu a reestruturação financeira que resultou na separação de seus negócios no Brasil em uma empresa independente.
- A BrazilCo, que reúne os ativos da companhia no Brasil, como o complexo de 2,2 GW de Barcarena (PA) e o Terminal Gás Sul (TGS), em Santa Catarina, foi transferida 100% para credores;
- Os demais ativos foram mantidos em uma nova estrutura, chamada de “New NFE”, que teve 65% de suas ações ordinárias transferidas para credores.
Corrida por investimentos na infraestrutura de gás. Seis meses após o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) contratar 15 GW de termelétricas a gás natural, os investimentos em infraestruturas de gás para atender à demanda do setor elétrico começam a ganhar contornos. De gasodutos a terminais de GNL, a gas week atualiza os novos projetos:
Luz para Todos. O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu uma consulta pública para destinar R$ 1,61 bilhão da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para o Luz para Todos em 2027. O orçamento atenderia até 67,8 mil novas famílias.
- Do total proposto, cerca de R$ 850,5 milhões serão destinados a famílias em regiões remotas da Amazônia Legal e R$ 757,2 milhões às áreas rurais.
Fim do limite à poluição nos EUA. O governo de Donald Trump planeja anunciar na segunda-feira (14/9) o fim do limite às emissões de usinas termelétricas a gás natural e carvão nos Estados Unidos.
- A mudança nas regras da Agência de Proteção Ambiental (EPA) vai reverter as políticas climáticas mais significativas dos governos de Joe Biden e Barack Obama e pode impedir a regulação das emissões de gases de efeito estufa provenientes de usinas de energia por futuros governos. (NY Times)
Conflito ambiental. O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) acionaram a Justiça para impedir que o Data Center Pecém inicie operações antes da realização de consulta ao povo indígena Anacé, localizado no entorno do empreendimento, e da elaboração de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima).
- O projeto está em construção no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, em Caucaia (CE).
Opinião: O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026 sinaliza uma mudança estrutural: o armazenamento começa a deixar uma zona de incerteza jurídica e contratual para se consolidar como uma classe própria de ativos na matriz elétrica brasileira, escreve Diogo Nebias, sócio do escritório Panucci, Severo e Nebias Advogados.















