A escalada dos conflitos no Oriente Médio mantém o mercado internacional de energia sob pressão e aumenta os riscos para o comércio marítimo. Na quinta-feira (15), o petróleo Brent era negociado em torno de US$ 105 por barril, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, oscilava entre US$ 95 e US$ 96. Embora as cotações tenham recuado em relação às máximas recentes, os preços continuam elevados diante das incertezas sobre o abastecimento e a segurança das rotas comerciais.
Para as empresas brasileiras, o cenário pode resultar em aumento dos custos de produção, distribuição e comércio exterior. Além dos preços da energia, o encarecimento do transporte internacional e a menor previsibilidade dos prazos logísticos ampliam os desafios operacionais. A intensidade dos impactos depende de fatores como o setor de atuação, a origem dos insumos, os contratos de fornecimento e a exposição às oscilações do mercado internacional.
A valorização do petróleo também afeta cadeias produtivas que vão além dos combustíveis, influenciando os custos de transporte, produtos químicos, embalagens e matérias-primas utilizadas pela indústria. “Quando o petróleo sobe de forma rápida e em um ambiente de conflito, a preocupação das empresas não deve ficar restrita ao combustível. O impacto se espalha pelo transporte, pelos insumos e pela própria formação de preços. Isso reduz margem e aumenta a dificuldade de projetar custos para os próximos meses”, afirma Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group.
No mercado brasileiro, o diesel é um dos principais pontos de atenção devido à dependência do transporte rodoviário de cargas. O aumento dos combustíveis pode elevar as despesas das transportadoras, pressionar suas margens e exigir renegociações contratuais. O repasse desses custos aos preços finais, no entanto, depende das condições de mercado, do nível de concorrência e da capacidade de cada empresa de absorver os aumentos.
A duração da instabilidade também influencia as decisões corporativas. Segundo Mauro, a dificuldade de estimar quanto tempo o cenário de pressão vai persistir prejudica o planejamento financeiro e operacional. “Uma empresa consegue administrar melhor uma alta temporária. O problema é quando ninguém sabe quanto tempo esse cenário vai durar. Nesse caso, fica mais difícil definir preço, negociar contratos, programar compras e decidir o nível adequado de estoque”, explica.
PLANEJAMENTO DEVE CONSIDERAR DIFERENTES CENÁRIOS
Diante da volatilidade, empresas precisam evitar decisões baseadas em uma única projeção para os preços do petróleo ou para os prazos logísticos. A construção de cenários permite avaliar possíveis consequências sobre custos, margens, capital de giro e compromissos de entrega.
“Não é possível controlar o preço internacional do petróleo ou o que acontece em uma rota marítima, mas é possível controlar o grau de preparação da empresa. Quem conhece seus custos, fornecedores, contratos e alternativas logísticas consegue reagir mais rapidamente quando o cenário muda”, afirma Mauro.
Entre as medidas que podem reduzir a exposição estão a revisão de contratos, a avaliação da necessidade de estoques estratégicos, a diversificação de fornecedores e o monitoramento dos custos de frete e seguro. As empresas também precisam analisar até que ponto conseguem repassar os aumentos sem prejudicar a competitividade ou reduzir a demanda por seus produtos e serviços.
A preparação para diferentes níveis de preços é outro instrumento de gestão. “Em um ambiente como o atual, planejamento não significa tentar prever exatamente o que vai acontecer. Significa estar preparado para diferentes possibilidades. A empresa que trabalha com cenários de petróleo a US$ 90, US$ 110 ou US$ 120, por exemplo, consegue entender antecipadamente como cada situação afeta sua margem e suas decisões”, explica Mauro.
Com o Brent acima de US$ 100 por barril e novos ataques a embarcações no Oriente Médio, o mercado segue atento à evolução dos conflitos, às condições de segurança das rotas marítimas e às perspectivas de oferta de energia. Mesmo com eventuais recuos nas cotações, a permanência dos riscos operacionais e logísticos mantém a incerteza para as empresas dependentes do comércio internacional.
Para as companhias brasileiras, o desafio envolve administrar não apenas o custo da energia, mas também os efeitos sobre transporte, abastecimento, prazos de entrega e formação de preços. Nesse contexto, o mapeamento de riscos e a preparação de alternativas logísticas e comerciais ganham importância no planejamento operacional e financeiro.














