NESTA EDIÇÃO. Ameaças às exportações de petróleo da Arábia Saudita levam preço do barril a voltar para a casa dos US$ 90.
No Brasil, imposto de exportação sobre petróleo gerou R$ 9,6 bilhões adicionais em royalties e reduziu embarques para o exterior, diz IBP.
Consumidores esperam desconto de pelo menos 15% para considerar a migração para o mercado livre de energia, aponta estudo da McKinsey.
Novo primeiro-ministro do Reino Unido reduz impostos sobre contas de luz para aliviar custo de vida das famílias.
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Nova frente de guerra no Oriente Médio ameaça ainda mais exportações de petróleo
Não apenas uma, mas duas das principais rotas de exportação do petróleo do Oriente Médio estão agora sob ameaça e arriscam levar o preço do barril de volta para a casa dos três dígitos.
Além das dificuldades para o escoamento pelo Estreito de Ormuz desde o início da guerra entre EUA e Irã em março, esta semana a principal alternativa para o escoamento da região também passou a ser alvo restrições: o Estreito de Bab el-Mandeb, na saída do Mar Vermelho.
- Grupos houthis do Iêmen, aliados do Irã, ameaçam bloquear a rota. Caso o bloqueio seja efetivado, as exportações da Arábia Saudita sentiriam o maior impacto.
Dois navios petroleiros que transportavam petróleo saudita para a Ásia mudaram de direção no Mar Vermelho na terça-feira (21/7), após ameaças. (Reuters/Valor)
- O cenário levou o preço do barril de petróleo a atingir as máximas de julho. O Brent para setembro encerrou a terça em alta de 2,00% (US$ 1,79), a US$ 91,01 o barril.
- O Goldman Sachs alertou que o cenário pode fazer o barril retomar o nível de US$ 120, patamar registrado em março e abril, durante os momentos mais agudos da guerra.
- O diretor da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), Fatih Birol, afirmou que o cenário voltou a aumentar as preocupações com a segurança do abastecimento global de energia.
As ameaças ao Estreito de Bab el-Mandeb colocam sob risco cerca de 2,5 milhões de barris de petróleo exportados pela Arábia Saudita por dia, segundo cálculos da Rystad Energy.
- Isso ocorre em um momento em que o tráfego pelo Estreito de Ormuz permanece muito limitado: apesar de não haver um bloqueio na prática, poucos navios têm atravessado a região, diante dos riscos com a nova escalada da guerra.
- “Qualquer interrupção em Bab el-Mandeb ameaçaria não apenas os embarques sauditas, mas também uma das poucas rotas restantes capazes de compensar a drástica redução no tráfego pelo Estreito de Ormuz”, diz o chefe de análise geopolítica da Rystad, Jorge León. Relembre:
Mais imposto e royalties, menos exportação. O imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto gerou R$ 9,6 bilhões adicionais em royalties no primeiro semestre de 2026 e reduziu as vendas do petróleo brasileiro para o exterior em maio, segundo levantamentos do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).
- O tributo foi instituído em março junto com as subvenções aos combustíveis para evitar os impactos da alta do barril no mercado internacional. Este mês o governo decidiu prorrogar a cobrança até meados de setembro.
Eleições 2026. O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL/RJ) afirmou, na terça-feira (21/7), que, se eleito, vai organizar a legislação envolvendo temas energéticos e que seu eventual governo não deixará de incentivar o uso de combustíveis fósseis. E defendeu mudanças legislativas para favorecer a construção de data centers.
- Também na terça, Abihv, Abiabe, Abrace e Global Renewables Alliance divulgaram uma carta aberta (.pdf) aos presidenciáveis pedindo uma Agenda Nacional de Competitividade Energética.
- “Essa agenda deve fortalecer o setor elétrico, impulsionar o desenvolvimento econômico e oferecer uma visão de longo prazo para o Sistema Interligado Nacional”, defendem as associações.
De olho no mercado livre. Metade dos consumidores de baixa tensão espera um desconto de pelo menos 15% para considerar a migração para o mercado livre de energia, aponta estudo da McKinsey realizado com 570 empresas entre abril e maio deste ano.
- Os preços mais baratos serão o principal fator para o comércio migrar, segundo a pesquisa.
Menos tarifas. O novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, tomou posse na segunda (20/7) e anunciou medidas para reduzir impostos sobre as contas de energia elétrica.
China acelera nas renováveis. O país asiático está prestes a antecipar para este ano a meta de capacidade renovável para 2030. A expectativa é que as fontes renováveis passem a representar mais da metade da capacidade instalada chinesa.
- Ao mesmo tempo, a China resiste em abrir mão do carvão. Saiba mais na diálogos da transição:
Biodiesel no Fundo Clima. O BNDES aprovou um financiamento de R$ 96,2 milhões para uma nova planta industrial de biodiesel do Grupo Potencial, em Lapa, no Paraná.
- Do montante, R$ 76,9 milhões são provenientes do Fundo Clima.
Opinião: O artigo 33 da Lei do Gás determina redução da concentração da oferta. ANP avança com consultas, e o desafio regulatório agora é equilibrar concorrência e estímulo a novos investimentos, escrevem o senador Laércio Oliveira e o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico de Sergipe, Marcelo Menezes.















