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Casa Diesel

Com petróleo, com tudo: a proposta de Lula 4 para a transição

Biopetróleo por Biopetróleo
11 de agosto de 2026
no Diesel, Gasolina, Guerra no Irã, Petróleo
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Com petróleo, com tudo: a proposta de Lula 4 para a transição
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NESTA EDIÇÃO. Programa do atual governo para um novo mandato prevê mais renováveis, biocombustíveis, hidrogênio e armazenamento.

Mas também defende expansão da exploração de petróleo e gás, refino e atuação da Petrobras em combustíveis de baixo carbono.

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EDIÇÃO APRESENTADA POR:

O programa de governo apresentado pelo presidente Lula (PT) para um novo mandato aposta na transição energética como uma oportunidade de neoindustrialização, mas evita uma ruptura com petróleo e gás. 
 
A diretriz é combinar segurança energética, redução de emissões e industrialização, com expansão das fontes renováveis e dos combustíveis de baixo carbono ao mesmo tempo em que a Petrobras mantém investimentos em exploração, refino e produção de óleo e gás.
 
No final de 2025, logo após o Brasil sediar a COP30, Lula encomendou a um grupo de ministérios a entrega de “diretrizes para elaboração do mapa do caminho para uma transição energética justa e planejada, com vistas à redução gradativa da dependência de combustíveis fósseis no país”.
 
O prazo venceu em fevereiro e o assunto foi arrefecendo nos meses seguintes. No documento (.pdf) divulgado na sexta (7/8), o compromisso é de contribuir com o roteiro internacional “preservando soberania e segurança energéticas”.
 
O plano estabelece como prioridade para o próximo mandato aumentar a participação de fontes renováveis, ampliar investimentos em armazenamento e flexibilidade do sistema elétrico e acelerar a substituição progressiva de combustíveis fósseis por biocombustíveis e combustíveis de baixa intensidade de carbono, incluindo derivados de hidrogênio. 
 
De olho no powersoring para atrair investimentos industriais, a proposta cita o desenvolvimento de cadeias de baterias, hidrogênio de baixa emissão, petroquímica verde, bioprodutos, fertilizantes e reatores nucleares modulares.
 
Os biocombustíveis aparecem como uma das principais apostas para a descarbonização dos transportes. 
 
O programa promete ampliar a produção de etanol de milho e cana, biodiesel e combustível sustentável de aviação (SAF), além de estimular o aproveitamento de subprodutos da agroindústria para produzir bioenergia e biogás.
 
Para o RenovaBio, o plano é “continuar aprimorando” e incluir diretrizes para incorporar rotas de segunda e terceira geração, isto é, a partir de resíduos.
 
Já a atuação em SAF, biometano e combustíveis marítimos segue como frente de desenvolvimento tecnológico.
 
Embora cite marcos legais como as leis do Combustível do Futuro e do hidrogênio de baixo carbono, o documento não explora uma questão crucial que tem deixado a indústria ansiosa: a regulamentação.
 
A publicação dos decretos do SAF, captura de carbono (CCUS) e hidrogênio é aguardada desde 2024. 
 
São temas que também interessam a Petrobras. No plano, a promessa é fortalecer a participação da estatal no segmento de biocombustíveis, por meio da PBio, e avançar no desenvolvimento de SAF, biometano e combustíveis marítimos.
 
O programa destaca como resultados do atual mandato a ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina de 27% para 32% e de biodiesel no diesel de 10% para 15%. 
 
E cita oito plantas de etanol de segunda geração e duas biorrefinarias para SAF incluídas na carteira do Novo PAC.


Forum do Biogas - Abiogas

Vida longa ao petróleo

Ao mesmo tempo, o petróleo continua tendo papel relevante na estratégia. 
 
O programa defende a continuidade da expansão da exploração onshore e offshore pela Petrobras, a revitalização de campos maduros e a exploração de novas reservas com “cuidados socioambientais” e visão estratégica. 
 
A estatal também deverá ampliar a capacidade de refino, voltar ao segmento de distribuição de combustíveis e expandir a atuação da Transpetro na logística de GNL.
 
A compatibilização entre produção fóssil e transição aparece explicitamente na proposta para a Petrobras. A estatal deverá investir também em fontes de baixo carbono e reduzir suas emissões operacionais, em linha com a meta climática do Brasil (NDC, em inglês) no Acordo de Paris.
 
Um dos poucos compromissos de revisão de marcos legais que o programa de governo de Lula e Alckmin assume nominalmente na área de energia é modificar o Repetro: “Vamos readequar o marco legal do Repetro às necessidades de descarbonização”.
 
Mas não há iniciativa oficial, como prazo, instrumento, ou indicação de qual dimensão do regime aduaneiro seria alterada.
 
Para os críticos, Repetro é carro-chefe dos subsídios dados aos combustíveis fósseis. O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) calcula que, anualmente, o benefício custe cerca de US$ 1,65 bilhão.
 
Sem uma saída rápida dos combustíveis fósseis, o desenho apresentado é de uma transição gradual, na qual petróleo e gás permanecem como instrumentos de segurança energética e desenvolvimento industrial, enquanto renováveis, biocombustíveis, hidrogênio e tecnologias de armazenamento ganham espaço como novas fronteiras de investimento e descarbonização.

Desafio elétrico

Na geração elétrica, apesar da ausência de menções explícitas aos cortes de geração (curtailment) que têm assombrado o setor, o plano reconhece o problema de restrições operativas e propõe medidas que podem contribuir para reduzi-lo, mas não apresenta metas, números ou uma estratégia específica.
 
O que há é a promessa de continuidade da expansão das renováveis e da infraestrutura de transmissão, além de uma nova fronteira de investimentos em baterias e aumento da demanda industrial.
 
“Será fundamental expandir de forma coordenada e integrada a transmissão, a geração e o desenvolvimento regional, incentivando o aumento da demanda industrial em outras regiões de modo a reduzir restrições operativas e aumentar o aproveitamento dos recursos renováveis”. 
 
O plano também prevê incorporar os riscos climáticos ao planejamento energético e ampliar a resiliência do sistema. A geração hidrelétrica poderá continuar crescendo, condicionada a critérios socioambientais, de segurança energética e de flexibilidade para integrar fontes renováveis.
 
Enquanto a produção de carvão deverá ser reduzida, mas também sem metas específicas.

Cobrimos por aqui


Curtas

Julho registrou temperaturas excepcionalmente altas para o mês em grande parte do Pacífico tropical, uma área onde as condições do El Niño estão presentes e que devem se intensificar ainda mais nos próximos meses, alerta o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S).
 
ONS evita corte emergencial de geração no Dia dos Pais. Após emitir o alerta de acionamento do plano para as distribuidoras, o ONS informou aos agentes do setor no sábado (8) que a medida seria dispensada, devido à gestão para equilibrar geração e demanda e à previsão de uma carga mínima mais elevada que a prevista. 
 
Dias críticos para a segurança do sistema elétrico têm se tornado mais frequentes, mostra levantamento da Volt Robotics. Entre janeiro e julho deste ano, já foram seis dias de estresse. No mesmo período de 2025, houve três dias críticos. (Agência Infra)
 
Petrobras x postos. O Conar recomendou a retirada de circulação da campanha publicitária institucional da Petrobras que afirma não haver motivos para aumentos de preços nos postos. A representação partiu do Sindicom, sindicato que reúne as distribuidoras de combustíveis e lubrificantes. 
 
Etanol mais barato. Os preços médios do etanol hidratado caíram em 22 estados e no Distrito Federal, subiram em Mato Grosso do Sul e ficaram estáveis no Espírito Santo e em Roraima na semana passada. Nos postos pesquisados pela ANP em todo o país, o preço médio do etanol caiu 1,50% na semana, de R$ 4,00 para R$ 3,94 o litro.
 
Comissão para REDD+. As inscrições para o processo seletivo de representantes da sociedade civil e do setor privado para compor o plenário da Comissão Nacional para REDD+ (CONAREDD+) encerram em 14 de agosto. Serão escolhidos como titulares dois assentos de organizações não governamentais e um assento do setor privado.

  • Ao redor da Europa, recordes de altas temperaturas da superfície do mar ao longo do Atlântico e do Mediterrâneo Ocidental estiveram associados a ondas de calor marinhas fortes ou severas generalizadas, afetando comunidades costeiras e ecossistemas.

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