Os preços do petróleo registraram queda nesta sexta-feira (12), ampliando as perdas observadas na sessão anterior diante da crescente expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã. O avanço das negociações diplomáticas reforçou a percepção de que o risco de interrupções prolongadas na oferta global de energia pode estar diminuindo.
O contrato do petróleo WTI para julho, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), encerrou o pregão cotado a US$ 84,88 por barril, com recuo de 3,23% (US$ 2,83). Já o Brent para agosto, referência internacional negociada na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, fechou a US$ 87,33 por barril, em baixa de 3,37% (US$ 3,05).
No acumulado da semana, as perdas chegaram a 6,25% para o WTI e a 6,19% para o Brent.
A pressão sobre as cotações ganhou força após a divulgação, pela agência estatal iraniana Mehr, de uma versão preliminar do memorando de entendimento em negociação entre Washington e Teerã. O documento prevê a suspensão das sanções americanas sobre o petróleo iraniano, enquanto o Irã assumiria o compromisso de reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia.
O movimento de queda se intensificou ao longo do dia após declarações do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. Segundo o chanceler, um memorando de entendimento entre os EUA e o Irã “nunca esteve tão perto”.
Apesar dos sinais positivos, autoridades dos dois países ainda divergem sobre detalhes do processo. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou, de acordo com a agência estatal IRNA, que Teerã ainda não estabeleceu um cronograma para a conclusão das negociações.
Do lado americano, o presidente Donald Trump contestou informações divulgadas por autoridades iranianas sobre os termos do possível acordo. Sem detalhar quais pontos estariam incorretos, o republicano acusou o governo iraniano de espalhar informações falsas a respeito das tratativas.
Para analistas do ING, o comportamento do mercado de energia nas próximas semanas dependerá da normalização efetiva do tráfego no Estreito de Ormuz. “Por sua vez, teríamos cautela ao esperar preços de petróleo muito mais baixos a partir dos níveis atuais”, afirmam.
Também nesta sexta, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que o governo americano pretende restabelecer a navegação na região “com ou sem a ajuda” do Irã. Segundo ele, mesmo na ausência de um acordo entre as partes, as Forças Armadas dos EUA atuarão para garantir a retomada do fluxo de embarcações pelo estreito.
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