A maioria dos executivos acredita que o mundo atingirá o pico da demanda por óleo em 2035 ou depois, indicou uma pesquisa da Bain & Company que entrevistou mais de 800 pessoas que trabalham nos setores de óleo e gás, infraestrutura, químicos, minerais e agronegócio entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
Apesar de a maioria acreditar que a dependência dos combustíveis fósseis seguirá por pelo menos mais uma década, a perspectiva varia de acordo com a região dos executivos.
Enquanto metade dos profissionais de óleo e gás europeus considera que o pico pode ser antes de 2035, 41% dos executivos norte-americanos consideram que o pico não acontecerá antes de 2050.
O relatório aponta também uma mudança na expectativa de quando serão atingidas as emissões líquidas zero.
Em 2023, 45% dos executivos acreditavam que o prazo seria 2050 ou antes; já em 2026, 44% acredita que o mundo só deve atingir esse objetivo em 2070 ou depois.
O cenário reforça a percepção de que a transição energética tende a ocorrer de forma progressiva, combinando diferentes tecnologias e ritmos de adoção conforme as condições econômicas e regionais, indica o estudo.
O relatório mostra, ainda, diferentes investimentos na transição. Mais de 50% das empresas europeias destinam mais de 20% de seu capital para investimentos ligados à transição energética, enquanto, na América do Norte e na maioria das outras regiões, apenas cerca de 25% das empresas fazem alocações nesse nível.
O estudo destaca também o interesse de empresas em investir na transição energética na América Latina, mas aponta perda de atratividade por causa de regulações mais instáveis.
“Isso significa que países como o Chile não competem mais apenas por recursos naturais, mas também por sua capacidade de oferecer segurança, marcos regulatórios consistentes e modelos de financiamento que permitam a viabilidade de projetos em um ambiente global mais seletivo”, disse o sócio e líder da prática de Energia & Recursos Naturais da Bain para a América do Sul, Diego García, em nota.
Inteligência artificial ainda não alcançou resultado esperado
Cerca de dois terços dos executivos entrevistados durante a pesquisa afirmaram que suas empresas se concentram em experimentos ou projetos piloto de inteligência artificial (IA) e não alcançaram os resultados esperados.
Menos de 10% disseram ter iniciado uma transformação mais ampla baseada em IA.
Quase metade dos executivos considera o principal obstáculo a falta de clareza sobre os resultados esperados da tecnologia ou a ausência de ligação direta com o valor de negócio.
O crescimento do uso da IA também gerou desafios energéticos, principalmente pelo aumento da demanda de eletricidade por data centers. A principal solução, apontada por 63% dos executivos, foi o armazenamento de energia.
Outro ponto ressaltado pelos profissionais foi a necessidade de ampliar investimentos em transmissão e distribuição de energia.














