Os Estados Unidos acreditam que o Alasca é uma das regiões com maior potencial para a área de energia no mundo, com “enormes” reservas de petróleo e gás, segundo o presidente da Comissão de Pesquisa do Ártico do governo estadunidense, Thomas Dans.
“Uma mudança fundamental de sinalização sob o governo Trump é a de que, como nação, vamos realmente focar no Ártico e dar grande ênfase ao desenvolvimento de nossos recursos na região”, afirmou durante o Offshore Northern Seas (ONS) 2026, em Stavanger, na Noruega, na terça-feira (25/8).
Dans afirmou que a região vai receber mais de US$ 55 bilhões em investimentos nesse setor nos próximos anos, com o desenvolvimento do projeto Alaska LNG Project, de produção de gás natural liquefeito (GNL) pelo Glenfarne Group, além de outros projetos mais próximos à costa em andamento, como o Polar LNG.
Ele citou, ainda, grande potencial para o hidrogênio branco (natural) e para mineração na região.
O presidente dos EUA, Donald Trump, deixou claro que tem interesse na região ao indicar que pretende anexar a Groenlândia.
A região também vem se tornando um corredor estratégico com a ampliação da navegabilidade devido ao degelo causado pelas mudanças climáticas.
“A China, assim como também o Japão, a Coreia do Sul e a Coreia do Norte começaram a olhar para a rota dos mares ao norte como uma opção recentemente, após o fechamento do Estreito de Ormuz”, disse a global fellow do Centro de Política Energética da Universidade de Columbia, Tatiana Mitrova.
A acadêmica lembrou que a atratividade da produção de petróleo e gás no Ártico já se provou, dado que 80% da produção de gás e 60% da produção de petróleo da Rússia vêm dessa região.
No entanto, ela ressaltou que os desafios de infraestrutura são grandes e demandam soluções governamentais para apoiar esses projetos.
“Se ocorrer um vazamento de petróleo no Golfo é um problema, se ocorrer um no Ártico é um desastre”, afirmou.
Mitrova ressaltou também que, apesar dos desenvolvimentos tecnológicos que ajudam a reduzir os custos, essa região continua a competir com outros locais para atração de investimentos.
“A maior parte dos países do Ártico, com exceção da Noruega, está adiando grandes projetos de upstream por causa dos altos custos e riscos. Se uma empresa precisa escolher entre investir em águas profundas no Brasil ou no Ártico, o Brasil provavelmente será mais interessante”, disse.
Mais cedo, o ministro de Energia da Noruega, Terje Aasland, havia criticado em outro painel na conferência as propostas na União Europeia para uma moratória na exploração e produção de petróleo e gás no Ártico.
“Quando falamos com a Alemanha e a Polônia, eles querem esse gás natural (do Ártico)”, disse.
O diretor de Políticas de Energia e Recursos Naturais da Universidade de Calgary, Robert Johnston, ressaltou que é importante que o olhar para o Ártico leve em consideração as pessoas que vivem na região.
“Essas pessoas estão sentindo os efeitos negativos das mudanças climáticas”, lembrou.












