NESTA EDIÇÃO. Petroleiras dizem que projetos de hidrogênio, CCS, eólica offshore e biogás não se pagam ainda.
Descoberta na Foz do Amazonas abre cenário positivo para petroleiras que estão na Margem Equatorial, diz Sylvia dos Anjos.
Braskem entra em recuperação extrajudicial para reestruturar dívidas de R$ 56 bilhões.
Lula tenta destravar Redata e minerais críticos antes das eleições.
EDIÇÃO APRESENTADA POR:
Majors do petróleo têm dificuldades para viabilizar hidrogênio, CCS e eólica offshore
Grandes petroleiras estão com dificuldades para encontrar clientes e retornos financeiros para investimentos anunciados nos últimos anos em projetos de baixo carbono, como produção de hidrogênio verde, eólicas offshore, captura e estocagem de carbono (CCS) e biogás.
Os CEOs da Shell, Wael Sawan, e da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, indicaram que esses projetos ainda não conseguiram se provar economicamente viáveis, sobretudo frente a outras fontes renováveis, como geração solar e eólica terrestre.
- “Há cinco anos, parecia óbvio para a indústria tentar desenvolver essas tecnologias, mas hoje estamos de volta ao fundamento da energia, que é o preço acessível. Se não é acessível, não se pode fazer o que se quiser”, disse Pouyanné durante o Offshore Northern Seas (ONS) 2026, em Stavanger, na Noruega.
- “Todos nós embarcamos em 2020 no projeto de CCS Northern Lights. E o que acontece hoje? Temos dificuldades em encontrar clientes”, acrescentou, em referência à joint venture formada por Equinor, TotalEnergies e Shell para o serviço de armazenamento de carbono no Mar do Norte. Leia na newsletter:
A diretora executiva de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, participou do mesmo painel de Sawan e Pouyanné e concordou com a dificuldade em encontrar consumidores dispostos a pagar o preço dos combustíveis de menor emissão.
Na visão do CEO da Shell, a perspectiva da indústria de energia sobre essas tecnologias mudou nos últimos anos.
- “Não conseguimos criar o retorno para o investimento que esperávamos. Então estamos nos direcionando para outros segmentos dessa cadeia de calor, como baterias e comercialização de energia”, afirmou.
Segundo os executivos, as regulações precisam acompanhar a realidade do mercado. Pouyanné criticou a política da União Europeia que obriga as companhias a investir em CCS, “sem clientes”.
- “É uma questão de eficiência. Eu prefiro colocar esse dinheiro em solar e eólica terrestre, nas quais eu sei que posso ter lucro”, disse o executivo da TotalEnergies.
- “As pessoas precisam aceitar que estamos arbitrando o dinheiro que gastamos da maneira mais eficiente para contribuir com o clima”, acrescentou. Para relembrar:
As companhias indicam que a descarbonização do setor de energia segue no radar, mas acreditam que o foco precisa ser voltado para redução das emissões da produção de petróleo e gás.
- “Considero mais útil investir US$ 50 milhões nesse tipo de iniciativa do que em um desenvolvimento de biogás”, disse Pouyanné.
- O executivo citou, inclusive, os investimentos conjuntos da Totalenergies com a Petrobras em reinjeção de CO2 nos campos do Brasil.
- Ele elogiou a cláusula da ANP que obriga as petroleiras a investirem parte do lucro em pesquisa, desenvolvimento e inovação no país: “É inteligente”.
O ministro da Energia da Noruega, Terje Aasland, reconheceu que há necessidade de mais pesquisas, conhecimento e tecnologias para ajudar a viabilizar projetos renováveis.
- “A inovação não deve apenas produzir novas tecnologias, mas também reduzir custos”, disse em participação no ONS na manhã de terça (25/8).
Confira a cobertura completa da eixos na ONS 2026:
Fronteira aberta. A Margem Equatorial brasileira já pode ser considerada uma nova fronteira aberta na exploração de óleo e gás, após a descoberta de indícios de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, afirmou a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, em entrevista exclusiva à agência eixos durante o ONS.
- A executiva destacou que a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, anunciada no dia 14 de agosto a cerca de 175 km da costa do estado do Amapá, abre um cenário positivo não só para a estatal brasileira, mas para todas as grandes petroleiras que possuem concessões na região.
- “Quando a gente destrava uma área, a gente abre oportunidade. Grande parte dos nossos parceiros têm blocos na Margem Equatorial, então abre um cenário positivo. Praticamente todas as majors têm blocos na região”, disse.
- Além da Petrobras, estão presentes na região multinacionais como Chevron e ExxonMobil (na Bacia Foz do Amazonas); e Shell (Barreirinhas e Potiguar).
Quebra de confiança. A criação de laços de confiança entre países, fornecedores e produtores será um dos principais desafios para enfrentar as crises geopolíticas e atender ao aumento da demanda global por energia nos próximos anos, indicaram executivos durante a abertura do ONS 2026 na segunda-feira (24/8).
- “Confiança é a commodity mais importante do mercado de energia hoje”, disse o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês), Fatih Birol.
Em busca de uma guinada na exploração. Equinor, Aker BP e Vår Energi anunciaram uma parceria para expandir a exploração na plataforma continental norueguesa (NCS, na sigla em inglês).
- O objetivo é aumentar as chances de descobertas de novos campos, revertendo uma tendência em que o foco é o redesenvolvimento de ativos.
Barril cai. Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda na segunda-feira (24), em correção de ganhos recentes após seis sessões consecutivas de alta, colocando em segundo plano o baixo tráfego pelo Estreito de Ormuz e as novas sanções dos EUA ao Irã.
- O Brent caiu 2,3%, a US$ 90,54 por barril.
Inflação. A América Latina e o Caribe encerraram o primeiro semestre com uma forte aceleração dos preços da energia, de acordo com relatório de inflação energética da Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (Olacde).
- Em junho, a inflação energética acumulada em 12 meses atingiu 8,03%, o nível mais elevado do período analisado e quase o dobro da inflação geral, que ficou em 4,49%. O destaque ficou por conta dos combustíveis líquidos.
Etanol estável. O preço médio do hidratado ficou estável no mercado brasileiro na semana passada, a R$ 3,91 o litro nos postos pesquisados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e compilados pelo AE-Taxas.
- Os preços caíram em 14 estados, subiram em quatro estados e no Distrito Federal (DF), e ficaram estáveis em sete outros na semana passada. Não houve cotação no Amapá.
Braskem em recuperação extrajudicial. O Conselho de Administração da petroquímica aprovou o ajuizamento de um pedido de recuperação extrajudicial.
- A companhia informou que o objetivo da medida é “assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação” de suas dívidas, da ordem de R$ 56 bilhões.
Redata no esforço concentrado. O presidente Lula (PT) indicou que o programa de estímulos à instalação de data centers com consumo de energia renovável pode finalmente entrar na pauta de votações do Senado, ao lado do marco legal dos minerais críticos, no esforço concentrado de 31 de agosto a 4 de setembro. Esta será a última rodada de esforço concentrado antes das eleições.
- Em entrevista ao Domingo Espetacular, da Record, no domingo (23/8), Lula citou o Redata entre os temas na lista de votações que articula com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP). Os dois devem se reunir na quarta (26/8).
Divisão de custos. O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu três consultas públicas sobre a reforma do setor elétrico.
- Uma das consultas diz respeito à mudança na regra de rateio do Encargo de Reserva de Capacidade (Ercap). A proposta é deixar de considerar o pico máximo de consumo de cada consumidor ao longo do mês e passar a calcular o encargo com base no consumo feito no período de maior demanda. Assim, o encargo passará a ser maior para quem consome mais em horários como fim da tarde e início da noite.
- As outras consultas tratam do cálculo dos limites mínimo e máximo do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD); além de revisão no pagamento da Taxa de Fiscalização dos Serviços de Energia Elétrica (TFSEE) por comercializadores. A taxa já é paga hoje na geração, distribuição e transmissão.
Recursos para fertilizantes e minerais críticos. O governo federal reservou R$ 4 bilhões em linhas de financiamento para fortalecer as cadeias de fertilizantes e de minerais críticos e estratégicos, como parte da terceira fase do Plano Brasil Soberano. O programa foi criado para apoiar empresas afetadas por tensões geopolíticas no Oriente Médio e o tarifaço imposto às exportações brasileiras por parte dos EUA.
Políticas de transição energética. O Tribunal de Contas da União (TCU), em sessão extraordinária, na terça-feira (25), às 15 horas, analisa processos relacionados ao acompanhamento das contas públicas em 2026 e aos setores de mineração, petróleo, gás natural, biocombustíveis e transição energética.
Opinião: Regras de acesso não discriminatório a gasodutos de escoamento e UPGNs podem destravar abertura do mercado, reduzir barreiras e viabilizar leilões de gás da PPSA, escrevem Tiago Santana e Andressa Gonçalves, respectivamente, sócio e consultora do Perman Advogados.














