O preço do petróleo avançou nesta quinta-feira (10), com o contrato futuro do Brent para novembro subindo acima de US$ 105 o barril, enquanto o WTI para outubro retomou a marca de US$ 100 pela primeira vez desde maio. A alta ampliou o temor de pressão inflacionária às vésperas da decisão de juros do Federal Reserve, marcada para a próxima semana.
O movimento estende a disparada que, na sessão anterior, já havia levado os contratos futuros a atingirem três dígitos pela primeira vez desde julho. Com o avanço, as bolsas americanas recuaram na quinta-feira. O Dow Jones caiu 195 pontos, equivalente a 0,4%, o S&P 500 perdeu 0,6% e o Nasdaq Composite cedeu 0,9%.
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A alta do petróleo também empurrou o rendimento dos Treasuries de dez anos para acima de 4,9%, o nível mais alto desde novembro de 2023. Ações de semicondutores, que vinham liderando o mercado em alta, recuaram diante do temor de que juros e petróleo mais altos desacelerem a economia. Intel caiu 3% e Micron Technology perdeu 2%.
Guerra entre EUA e Irã completa sete meses e afeta oferta de petróleo
Por trás da disparada do petróleo está o conflito entre Estados Unidos e Irã, que já se estende por sete meses. O Irã sinalizou que não recuará diante do bloqueio naval americano e afirmou que intensificará os ataques caso os EUA continuem a atacar seu território.
Ao mesmo tempo, os houthis, apoiados por Teerã, atacam alvos da Arábia Saudita a partir do Iêmen. O reino saudita informou que sua produção de petróleo bruto despencou no mês passado para o nível mais baixo desde 1990, o que amplia a preocupação com o abastecimento global.
PPI de agosto sobe 0,4% e mantém taxa anual acima da meta do Fed
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Um relatório de inflação ao produtor considerado moderado não foi suficiente para conter os temores em torno de juros e petróleo mais altos. O índice de preços ao produtor de agosto, medida de inflação no atacado, subiu 0,4% no mês, ajustado sazonalmente, em linha com o consenso de mercado. Na comparação anual, o PPI ficou em 5,4%, patamar ainda bem acima da meta de 2% do Federal Reserve.
O dado antecede a divulgação do índice de preços ao consumidor nesta sexta-feira. Ambos os indicadores alimentam a medida de inflação preferida do Fed, o índice de gastos com consumo pessoal, que só será divulgado depois da decisão de juros de 16 de setembro.
Mercado eleva aposta em alta de juros com petróleo acima de US$ 100
Para Stephen Coltman, head de macro da 21Shares, o relatório do PPI não ajuda a resolver a dúvida sobre uma possível alta de juros na próxima semana, mas o retorno do petróleo acima de US$ 100 e os rendimentos dos títulos em máximas elevam a pressão sobre os investidores antes do dado de inflação ao consumidor.
Segundo a ferramenta CME FedWatch, os contratos futuros de juros já precificam 74% de probabilidade de alta de um quarto de ponto percentual na reunião do Federal Reserve na próxima semana.
Recompra de títulos pelo Tesouro americano turbina rendimentos
As bolsas americanas também vinham de três dias seguidos de queda depois que o Tesouro dos Estados Unidos anunciou que recompraria até US$ 6 bilhões em dívida de longo prazo, triplicando o volume habitual da operação. Menos de um mês antes, o órgão já havia informado que mais que dobraria o tamanho de suas recompras de dívida, então em US$ 2 bilhões.
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