NESTA EDIÇÃO. Mesmo após acordo de paz, retomada massiva das exportações pelo Estreito de Ormuz ainda pode demorar e suprimento global de petróleo deve seguir restrito.
Petrobras confirma investimento em planta de BioQAV e diesel renovável em Cubatão (SP).
Consumo de energia durante jogo do Brasil contra Haiti foi até 9,6% menor que em dia típico.
Brasil atinge marca de 25 mil pontos de recarga para veículos elétricos.
EDIÇÃO APRESENTADA POR:
Mercado vê com cautela retorno dos fluxos de petróleo e derivados do Oriente Médio
A normalização das exportações de petróleo e derivados pelo Estreito de Ormuz após o acordo de paz firmado entre Estados Unidos e Irã na semana passada ainda é percebida como incerta pelo mercado — e esse sentimento deve seguir afetando os preços do barril.
- O memorando de entendimento assinado na quarta (17/6) deu o pontapé inicial nos 60 dias de negociações para o fim do conflito e ampliou a navegação na região nos últimos dias, mas ainda não há um retorno massivo dos navios.
- As conversas sobre os termos finais para a paz tiveram início no domingo (21), na Suíça.
- Entretanto, o fim de semana foi marcado por informações controversas, com o presidente dos EUA, Donald Trump, fazendo novas ameaças ao Irã e relatos na mídia iraniana de que o estreito seria fechado novamente. (Bloomberg/Valor)
Um dos fatores cruciais para a retomada das exportações é a confiança dos armadores de que os navios podem passar pela região sem riscos. Por isso, nesse momento de incertezas, a tendência é de um aumento gradual no tráfego.
- “A situação muda de um dia para o outro, de uma hora para a outra”, disse à Fox News o diretor executivo da Chubb Ltd, Evan Greenberg. A companhia é uma das principais seguradoras do transporte marítimo comercial. (O Globo)
É provável, inclusive, que “o novo normal” da região passe a ser uma redução estrutural da dependência do Estreito de Ormuz, com a diversificação das exportações por outras rotas.
- Uma das principais alternativas é por meio do Mar Vermelho.
- Segundo a Argus, as tarifas de frete de petroleiros por essa rota subiram nos últimos dias, à medida que os contratantes buscam garantir navios antes de uma possível corrida para o Golfo do Oriente Médio.
- O frete de um VLCC saindo de Yanbu, no Mar Vermelho, para o nordeste da Ásia subiu de US$ 4,47/barril no final da semana passada para US$ 5,58/barril em 17 de junho. Releia:
O Goldman Sachs projeta que as exportações pelo Estreito de Ormuz vão retornar aos níveis pré-guerra ao final de julho, quando o fluxo na região deve atingir 70% do registrado antes do conflito.
Já a Argus acredita que não deve haver uma retomada efetiva do tráfego antes de setembro, o que manterá a oferta global de petróleo e derivados restrita, já que as rotas alternativas ainda não são capazes de substituir completamente Ormuz.
- “Não é surpresa que os planos para construção de infraestrutura de exportação que contorne esse gargalo estejam se acelerando na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait — embora esses projetos demorem muitos meses, e em alguns casos anos, para se concretizar”, afirma a analista de petróleo da Argus, Martha Tallas. Para relembrar:

Antes das notas do dia, um recado:
Arena diálogos da transição estreia no Energy Summit
A agência eixos e o Energy Summit realizam, entre os dias 23 e 25 de junho, a arena diálogos da transição, espaço dedicado aos principais debates sobre transição energética, inovação, infraestrutura e desenvolvimento sustentável.
- Quem não puder participar presencialmente poderá acompanhar, ao vivo, as entrevistas realizadas no estúdio eixos pelo canal da agência eixos no YouTube.
- A programação acontece a partir das 9h, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro.
Petrobras avança no biorrefino. O conselho de administração da Petrobras aprovou na sexta (19/6) a decisão final de investimentos (FID) para uma planta dedicada para bioquerosene de aviação (bioQAV) e diesel renovável na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP), com investimento estimado em US$ 1,2 bilhão.
- A Petrobras avança, assim, para a fase final de contratação e assinatura dos contratos, com previsão de início das obras até o final de 2026. O projeto já estava previsto no Plano de Negócios 2026-2030 e foi incluído agora na carteira em implantação.
Volatilidade no gás. Em menos de três meses, o mercado brasileiro saiu de um episódio inédito de gás vendido a um centavo numa operação de balanceamento no Gasbol a picos de preços no mercado spot. A volatilidade expõe as fragilidades de um mercado ainda de baixa liquidez. Entenda o que está acontecendo com a gas week:
Distribuição. O governo de Sergipe concluiu a aquisição da participação da Mitsui Gás e Energia na Sergas. Com a operação, o estado assume 100% da distribuidora de gás canalizado.
- O negócio, no valor de R$ 152,7 milhões, envolve a compra de 41,5% do capital total da Sergas.
Impactos do El Niño. O inverno começou no domingo (21/6) com os reservatórios das hidrelétricas em níveis confortáveis, mas com risco de impacto do El Niño a partir de agosto, indicou a Nottus.
- De acordo com a consultoria, o fenômeno deve influenciar o país até o primeiro semestre de 2027, atingindo uma intensidade muito forte no fim de 2026.
Variação na demanda. O consumo de energia elétrica durante o último jogo da seleção brasileira na Copa, diante do Haiti, na noite de sexta (19), foi até 9,6% menor do que o registrado no mesmo horário numa sexta-feira típica, conforme levantamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que mantém operação especial para o evento.
- A partir das 20h30, houve uma redução de 6.700 megawatts (MW) na carga, montante equivalente à carga média do estado do Rio de Janeiro.
De olho na regulamentação… As decisões da Aneel na regulamentação dos sistemas de armazenamento tendem a ter um impacto profundo sobre o desenvolvimento do mercado brasileiro de baterias, na avaliação do presidente da Atlas Renewable Energy no Brasil, Fábio Bortoluzo.
- Segundo o executivo, a principal novidade para o setor não foi a abertura do leilão previsto para dezembro, mas sim a definição das regras.
… E na cadeia produtiva. O Brasil deveria evitar tratar as baterias como a solução definitiva para os desafios do sistema elétrico sem considerar a forte dependência externa da cadeia produtiva, especialmente da China.
- O alerta foi feito por Paula Valenzuela, diretora técnica da PSR, durante evento do iCS, CEBDS, Instituto E+ e PSR, realizado no Rio de Janeiro.
Eletrificando. O Brasil alcançou a marca de 25.455 pontos públicos e semipúblicos de recarga para veículos elétricos em maio de 2026, mostra um mapeamento da plataforma ePowerBay.
- De acordo com o balanço, embora os carregadores lentos ainda representem a maior parte da rede, os equipamentos rápidos foram os que mais cresceram no período.
Opinião: A verdadeira oportunidade brasileira reside na aceleração da transição em duas direções principais: eletrificação dos transportes terrestres e do calor industrial, escreve Diogo Simões, professor associado do Instituto de Pesquisas em Petróleo e Energia na Universidade Federal de Pernambuco.
Nacionalização. Para a head global de Sustentabilidade e ESG da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Priscila Rocha, o Brasil precisa adotar políticas voltadas à nacionalização da cadeia produtiva de baterias como estratégia para aproveitamento das suas reservas de minerais críticos.
Estratégia para terras raras. O governo brasileiro publicou na sexta (19/6) o estudo que vai subsidiar a Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR), uma iniciativa que busca organizar iniciativas para desenvolver a cadeia desses insumos estratégicos para o Brasil e o resto do mundo.
- O desafio está em conectar política industrial, agenda de transição energética, financiamento e cooperação com diferentes economias. Saiba mais na diálogos da transição:
Minerais críticos no Eco Invest. O Ministério da Fazenda abriu as inscrições para o 5º Leilão do Eco Invest Brasil. A expectativa do governo é levantar R$ 50 bilhões em investimentos, com a criação de seis fundos de inovação, um deles voltado ao beneficiamento de minerais críticos, baterias e mobilidade elétrica.
Opinião: A capacidade de formar, atrair e requalificar profissionais é decisiva para a velocidade, segurança e competitividade da transição energética. O setor precisa de diversidade e competências híbridas, escreve Karen Cubas, a gerente da Universidade Setorial do IBP (UnIBP).














