O petróleo tende a se estabilizar entre US$ 80 (R$ 414,40) e US$ 85 (R$ 440,30) por barril após o fim da atual escalada militar entre Estados Unidos e Irã, avalia Cristiane Alkmin, economista e ex-conselheira do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quinta-feira (11), a especialista apontou que, embora os novos ataques e a ameaça ao estreito de Ormuz mantenham o mercado em alerta, os investidores já incorporaram a continuidade do conflito aos preços da commodity.
Alckmin também comentou a reação dos mercados aos novos ataques dos Estados Unidos. Segundo ela, a alta inicial do petróleo deu lugar a uma acomodação dos preços à medida que os agentes financeiros passaram a avaliar o conflito como um evento de duração mais prolongada.
“O mercado já incorporou que a guerra vai continuar por algum período”, afirmou, acrescentando que o barril do Brent vem oscilando dentro de uma faixa relativamente estável, entre US$ 90 (R$ 466,20) e US$ 96 (R$ 497,28).
Para a economista, o principal fator de preocupação não está necessariamente na produção iraniana, mas na possibilidade de interrupções no estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
Segundo ela, a região é estratégica para grandes consumidores asiáticos, especialmente a China, e qualquer bloqueio mais duradouro teria potencial de gerar impactos relevantes sobre a oferta global.
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Cristiane observou que, apesar da volatilidade recente, o mercado passou a trabalhar com cenários alternativos de abastecimento e diversificação energética, o que ajuda a explicar por que os preços não continuam avançando de forma contínua mesmo diante da escalada militar.
Novo patamar
Com base em análises de instituições internacionais do setor energético, a ex-conselheira do Cade avalia que o petróleo dificilmente retornará aos níveis próximos de US$ 60 (R$ 310,80) por barril observados antes do agravamento do conflito. “É possível que depois dessa confusão toda ele se estabilize ali ao redor de uns US$ 80”, disse.
Segundo ela, danos em infraestruturas e mudanças no cenário geopolítico tendem a manter os preços em um nível superior ao registrado antes da guerra.
Ela ressaltou ainda que um petróleo nessa faixa de preço continua oferecendo incentivos para investimentos em exploração e produção em diferentes países, incluindo projetos na América Latina. Para o Brasil, acrescentou, o cenário também pode trazer benefícios por conta da relevância do petróleo na pauta exportadora nacional.
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Segurança energética
Na avaliação da economista, a atual crise transformou a transição energética em uma questão que vai além da agenda ambiental. “Virou uma pauta econômica, uma pauta de Estado”, afirmou. Segundo ela, a busca por fontes renováveis passou a ser impulsionada também pela necessidade de garantir segurança energética em um ambiente internacional mais instável.
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Cristiane destacou que o Brasil possui vantagens competitivas nesse processo graças à elevada participação de fontes renováveis em sua matriz energética. Ela citou como exemplo a proposta do governo de elevar a mistura de etanol na gasolina e lembrou que o país também ampliou significativamente o uso de biodiesel e avança na incorporação do biometano à matriz de gás natural.
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Para a economista, o desafio brasileiro está menos na disponibilidade de recursos naturais e mais na formulação de políticas públicas capazes de reduzir os custos da energia para consumidores e empresas. “A gente tem muito sol, muito vento, muita água e muita energia. A gente só tem que criar políticas melhores para poder termos a energia mais barata”, concluiu.
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